Friends Will Always Be Friends

Friends Will Always Be Friends

12 de Abril, 2021 0 Por Rita Leston

Tenho a mania chata de tentar tirar o melhor de todas as ocasiões que se me apresentam. Ora, mesmo no meio de uma pandemia, no meio do caos eu faço o mesmo. Prefiro ver os prós do que os contras. Prefiro tentar encontrar o que de melhor posso tirar da situação, do que me lamuriar. Prefiro aprender com aquilo que vivo, para mais tarde não voltar a cometer alguns erros.

É a minha forma de sanidade e de sobrevivência.

Uma das coisas que aprendi neste último ano é de que não necessito de 152 saídas por aí. Não preciso de arranjar desculpas que me tirem de casa, só porque é suposto ter de fazer actividades e visitar outros sítios. Aprendi que só vou se e onde quiser. E com quem quiser. E aprendi que estar em casa até é bom e me dá paz.

Mas, principalmente aprendi que não preciso de 217 pessoas à minha volta e que o meu núcleo duro, afinal, é bem restrito. Muito mais restrito do que alguma vez pensei e que é, até, bem pequeno. Confesso que me tornei um pouco bicho-do-mato, selectivo até.

O que eu aprendi mesmo este ano, com a mania de tirar o melhor daquilo que tenho, é quem me faz falta. De quem preciso do abraço, de quem me faz falta a companhia, de quem eu queria poder sentar-me e conversar, sem restrições e sem ficar a achar que parecemos quase estranhos, sem nos podermos tocar. A quem posso ir roubar um café ou trazer para jantar. São essas as minhas poucas pessoas.

Mas essas pessoas? Ah, essas pessoas! Com essas pessoas eu  tenho uma amizade inquebrável e inabalável. Daquelas amizades que não necessitam, nem de explicações ou proximidades. Que são só porque sim. Que não precisam da presença diária, nem do abraço constante. Que não têm a conversa diária, mas tentam ter a necessária. Amizades em que se perdoam as falhas, ausências e os tempos calados. Amizades que o tempo não quebra, nem compromete. Amizades que o tempo estende e entende.

Amizades que não se explicam, apenas existem. Amizades que não ficam paradas no tempo à espera de ser retomadas, no dia em que nos reencontramos, pois elas estão sempre lá mesmo quando não nos vemos. Cumplicidades que ficam para sempre. Segredos que serão sempre só nossos. Conversas que apenas ficaram em pausa, à espera de serem retomadas. Seremos para sempre assim.

Por essas pessoas eu viro o mundo do avesso e faço o impossível. E sei que eles fazem o mesmo por mim.

Esses, os poucos, os muito poucos, são os que importam. São os que me ficaram.

São a minha lição de vida.

Rita Leston. E Então?